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sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

Ela



Era alta, esguia, tinha os cabelos escuros e um olhar que apenas os sonhadores reconhecem. Trazia o seu gosto pela leitura estampado da face, traduzido em olheiras profundas que aumentavam a cada dia com as noites perdidas. Costumava usar as madrugadas para se entregar à leitura e mergulhar no mundo dos seus autores prediletos, que era sempre melhor do que o seu.
Tinha origens humildes, mas não deixava que isso a impedisse de sonhar e algum dia conseguir tudo que lhe faltou na infância. Queria bonecas, mas não tinha; queria atenção, mas todos estavam sempre muito ocupados. Quando crescesse, montaria uma biblioteca no seu quarto, já que os livros nunca fizeram parte das prioridades dos seus pais. O salário era curto e as despesas eram altas. Precisava entender. Enquanto isso pegava livros emprestados com as colegas e freqüentava grandes livrarias.
Era uma criança introspectiva e, por esse motivo, não tinha muitos amigos. Também não sentia falta deles, já que a única companhia que precisava estava sempre nos seus braços e podia ser lavado para qualquer lugar. Cresceu assim: meiga, solitária e muito feliz. Aprendeu cedo que as pessoas sem sempre são do jeito que idealizamos e que a melhor maneira de viver é sonhar.




Por Érica Sales, 3º ano

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